A Waltz for a Night

Um cronópio encontra uma flor solitária no meio dos campos. Primeiro pensa em arrancá-la, mas percebe que é uma crueldade inútil, e se coloca de joelhos junto dela e brinca alegremente com a flor, isto é: acaricia-lhe as pétalas, sopra para que ela dance, zumbe feito abelha, cheira seu perfume, e deita finalmente debaixo da flor envolvido em enorme paz. A flor pensa: é como uma flor. (J. Cortázar)






Thursday, December 31, 2009



Adendo

Lero-lero, minha virada não será um fracasso, rs. De última hora, o amigo candango, porque candango tem dessas manias, pilhou de ir para Pirinópolis. Em vez de sete ondas, pularei sete cachoeiras. (???) Céus, morre. Morro. Até... ano... que... sem tiradinhas espertas.



Wednesday, December 30, 2009



Retrospectiva 2009

Acho que vou acabar passando o réveillon em casa com o Manoel e o nosso filho, que a cada dia está mais peludo e gordo e estamos seriamente pensando em assá-lo para a ceia. O negócio é que nem é original passar o réveillon em casa, entediado com o próximo ano, que promete ser pior do que o atual. Originalidade é conseguir fazer algo que seja legal numa data que pede tanto, o que provavelmente não acontecerá comigo. Eu não sou original. Mas sou esperançosa!, aí vão as metas para 2010:

Fechar o blog,
Sair do país, nem que seja turismo no Uruguai,
Ouvir e entender melhor (no português mesmo),
Alemão intermediário,
Só duas cagadas, ideia do Baricco,
Uma monografia decente,
Conseguir ter certeza do que quero para 2011,
Mais livros, mais estudos,
Conhecer duas cidades daqui do Brasil,

Acho que só. Dos acontecimentos do ano (considerando que minha memória é péssima), the Oscar goes to:

Melhor filme: O Hotel de um milhão de dólares
Melhor banda: Firekites (esqueci o resto que conheci)
Melhor autor: empate entre Juan Rulfo e Felisberto Hernández
Melhor encontro: Ana
Melhor presente: empate entre Quixote e Monet
Melhor acontecimento: show do Radiohead
Melhor viagem: Campinas
Melhor alegria: morar sozinha
Melhor alegria alheia: casamento da Aline

E, apesar desse tanto de coisa boa, saldo negativo, com certeza. Concordando com o Beto, esse foi o pior ano da vida. Errar menos daqui para frente, aborrecer-me menos, levar menos a sério, que nada é tão sério assim, rs., mesmo.
Feliz ano-novo!



Tuesday, December 29, 2009



How did you get these eyes?

Ontem no meio-sono, para variar no meio-sono, eu tive uma ideia para um conto, e a ideia até pareceu frutífera, para quem não escreve contos há dois anos. Ocorre que depois da ideia genial eu fui acometida por uma insônia, a qual só me deixou depois das quatro e dezessete da manhã, última hora em que me levantei e vim olhar e-mail, twitter, and many many others atrás de algum acontecimento mais absurdo do que meu tédio. Nada de acontecimento, consegui dormir e tive um pesadelo tão insistente, não daqueles que dão medo, mas daqueles que prendem e sufocam e agoniam. Frio na espinha durante todo o resto de noite, como um poodle sob a sombra crescente de uma mulher de 200 quilos que tropeçou prestes a esmagá-lo. Inúmeras vezes. O sonho tinha algo de Jeeps Creepers (é algo parecido com isso o nome daquele filme suuuper antigo do monstro que ressucita e fica atrás das menininhas e não é Pânico, ou Eu sei o que vocês fizeram em todas as estações eternamente e afins?), eu super perdida numa estrada cheia de pedras com umas cachoeiras tensas com um doidão e um cachorro atrás. Bizarro, mas eu acordei com um desgaste na coluna e uns muitos neurônios a menos. Então: não consegui escrever e desinspirei do conto que parecia até ser legal e vou esperar pela próxima inspiração. Ai que preguiça.



Monday, December 28, 2009



Heeeeeeeey Yaaaaaaa

Estava lembrando de Outkast, sucesso acho que de uns dez anos atrás. A letra da musiquinha mais famosa , Hey Ya, era algo sobre o problema da ideia de amor para sempre. If what they say is nothing is forever, then what makes love the exception? E é meio que isso: amar e ser amado é a pior imposição social da história.



Friday, December 25, 2009



Resumindo

Só mais uma droga de ano perdido.



Sunday, December 20, 2009



Feelings lived here once, before our time



Genial, o youtube não deixa diminuir mais o vídeo, assimetrando meu blog lindo.


Feelings lived here once, before our time.

Grande descoberta de banda. Aliás, não descoberta, indicação do Pedro, um querido não-entendo da Letras, que a essa hora deve estar pulando em alguma boite da Espanha. Feliz, espero. Essa música em especial eu tenho ouvido compulsivamente, o clipe é belíssimo. Todo feito com desenhos mesmo na lousa, mais de seis meses para ficar pronto. E tudo de um cuidado tão grande, tanta leveza. E, ao contrário do que temos do estilo, como Death Cab e as primeiras bandas emo, Firekites não apela para as guitarras indie de refrões intensos, cansativíssimas, em geral. Eu acho, rs. Todo o peso deles está numa constância não explosiva, mistura de vozes leves e palmas. E nas letras de aquecer os coraçõezinhos. Lindo, lindo.

We hear the bells on every hour.
I will always love you.
Says she loves to dance,
and she loves red cross until the end.
We don't want these days to ever end.





Sendo bípede

Eu queria que grandeza não fosse algo tão difícil de achar, e que assim brilhasse menos, e que não fosse tão importante por ser aquela constante que se desapercebe, estamos todos muito, muito, cansados. Não matar ninguém, nunca, tinha que ser assim, e depois disso viveríamos, assim, a partir de um piso de kindness, que palavra linda, entendendo que as ruindades não são propositais, a gente só não foge dela tão humanos tentando sair um pouco dessa humanidade tão desgastante, tão corrosiva, tão coitados os que tentamos porque no fim só se trata de não doer, ou doer menos, ou doer abissal sem se apontar uma culpa. Ou se trata de fazer melhores curativos, desinfeccionados, lágrimas salmoura de resignação desressentida, que não apontar o dedo é o que de melhor se aprendeu a fazer com a bipedia que nos livrou as mãos do chão. Era só vontade de certeza de que não é proposital dar errado e de que é possível não conseguir, por mais que se gastem os joelhos no chão e a paciência, seria menos ridículo isso tudo que a gente faz tentando proximidade desengonçada, a gente quase sempre gosta, e quase sempre quer bem e se quer bem e sequer bem sempre quer certo, e quase sempre nunca consegue. Nós imploraremos tanto uma segunda chance.



Sunday, December 13, 2009



As novas de sempre

Sabe o frio na espinha quando a pior das expectativas do mundo começa a se vislumbrar possibilidade real? Então, eu sei que perderei minhas leituras, meus estudos e as minhas viagens das férias num copo de cerveja. Em vários. E talvez em algum de pinga, porque ninguém aqui está rico o bastante para ficar brincando de consumir teor alcóolico 5%.

Hoje vi PS: I love you pela milésima oitava vez e chorei pela milésima oitava vez. Tipo de babar.

Ontem foi o casamento da Aline, minha primeira amiga muito querida que se casa (embora eu já a tenha conhecido praticamente casada mesmo). Sinto cheiro de tia no ar, e está cada vez mais forte. Primeiro a Aline, depois o resto menos a Ly. Já saquei tudo, porque não sou burra. Do casamento: reencontrei o Gláucio, suuuper saudade. Acho que o primeiro ou segundo post desse blog o menciona, e eu não tinha a mínima ideia de que a Aline conheceu meu blog linkado no dele (?). Fazia tanto tempo. E conheci o Nestor e a alegria pela Aline dobrou. Chuchu de fofo de gracinha de gentil o moço. Dois gut guts. Muitos alegrismos recentes.

É isso! Olha que coisa, eu ando feliz. Sabia que era só falta de férias. Meta para os próximos três meses: aprender a dormir 15 horas sem acordar uma vez sequer. Acho digno. E emagrece.



Saturday, December 12, 2009



Dos últimos encontros

Essa semana vi O Hotel de Um Milhão de Dólares, indicação da Aline. Eu estava bem certa de que Paris, Texas era a exceção de Wim Wenders, porque (do pouco do que vi) do resto dele não gostei, mas O Hotel é tipo muuuuuuito maravilhoso: um Beleza Americana sem a sensação de tragicidade e de beleza tão latente. O trágico com humor, ou não os dois juntos, mas os dois sendo a mesma coisa, como as tragédias gregas. E meio kafkiano tudo, mas com muita ternura. Fazia um tempinho que eu não capotava tanto com um filme. Além disso, o filme todo tem cara de balé. Pronto. Duas das cenas mais lindas do filme (eu facilitaria a vida de todo mundo postando o vídeo diretamente, e não o link, mas não sei por que cargas d'água o youtube não liberou as tags):

http://www.youtube.com/watch?v=yBGcYFFoIqQ&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=fbz2MF11LeM&feature=related

Outro achado, esse sem indicações: posrockcommunity Um site só com bandas de post-rock, dessas que ninguém conhece, e que são tão lindas. O site tem as descrições bastante completas de cada banda, então não se baixa nada num total escuro. Ótimo. Dentre um monte,
descobri uma, A Journey Down the Well, que é algo como um instrumental com um coro que parece gregoriano e em muitas das vezes é sussurrado, lembrando uma oração desesperada, mas que é o desespero do silêncio. Lindíssimo. E, falando nisso, álbum novo do Silver mt. Zion chegando ao início de 2010. Dessa vez sem a Tra-la-la band.

Ah, e eu estou de férias. Parece mentira.



Thursday, December 10, 2009



Me promete

Rs... E não é de ver que talvez? É que as coisas têm sido. E isso é tão. Acho.



Saturday, December 05, 2009



Cura

O meu gato não tem a mínima noção de distância educada. Vira e mexe estou deitada, abro os olhos e dou de cara com o nariz achatadíssmo dele quase encostando o meu. Tem sido bonitinha a convivência, ele afofa os dias difíceis, desses em que solidão vem de dentro, e não de fora, e em que, o que nem é tão certo, talvez sair abraçada àquela colcha de retalho segurando a caneca com leite e na outra mão um cigarro dando uma mistura meio nojentinha resolva. O problema é que pode não resolver, e tal descoberta de desabrigo seria tão terrível que dá um medo absurdo de tentar e acaba-se optando por sair, desgrudar, falar e ouvir e falar nessa estrutura tão mesquinha que é um diálogo de apenas possibilidades de trocas, que raramente acontecem. E é tão solitário e é ainda tão por dentro. E no fim dessas coisas penso que se um cometa não cair ou o meu celular não tocar agora eu me jogo da janela, queda da duração exata do arrepender-se e querer voltar contra a gravidade e querer não esperar cometas e ligações e querer dar mais uma única chance que seja ao azar. E outra. E outra. E outra.



Thursday, December 03, 2009



Catastrofando astrologicamente

Sabe o que eu acho que tem acontecido? Ando assumindo as características do meu ascendente. Assim, eu não dou a mínima pra horóscopo e afins, mas é até divertido ficar pensando que faria sentido isso tudo se é de fato a assimilação de aquário. Vamos lá, eu sou super a cara da descrição de escorpião, mas algumas coisas têm escapado e reverberam lindas em aquário. E daí? Nada, mas eu adoro todo mundo que conheço de aquário e acho sempre umas características legais, como individualismo exacerbado (sem se igualar a egoísmo), metas a longo prazo (que se cumprem!) e pouca importância pras questões amorosas (então. Isso em mim tá internalizado, tem que ser externalizado agora, rsrsrs.) É, junto com mais uns três, tipo leão, virgem e escorpião, o melhor signo do mundo pra se estar perto. Pessoas de aquário são massa. E estou até achando divertido pensando que uma mistura escorpião-aquário é beeem legal. E quase fico feliz. Só que daí olho pra grande desgraça do meu mapa astral: a beleza da minha lua caiu na beleza de libra. Genial. Obrigada, astros.

Sol
06 ESC 53

Escorpião
Lua
01 LIB 55

Libra
Mercurio
28 ESC 42

Escorpião
Venus
16 ESC 07

Escorpião
Marte
12 AQU 42

Aquario
Jupiter
13 PEI 06

Peixes
Saturno
08 SAG 11

Sagitário
Urano
20 SAG 03

Sagitário
Netuno
03 CAP 38

Capricórnio
Plutao
07 ESC 17

Escorpião
Quiron
21 GEM 27

Gêmeos
Nodo Lunar
20 ARI 58

Aries
Ascendente
00 AQU 52

Aquario
Meio Ceu
28 LIB 53

Libra
Vertex
14 TAU 18

Touro

Tabelinha super legal do meu mapa astral grátis via internet, rsrs. Eu só tenho um peixes, um capricórnio e nenhum câncer. Morram de inveja, rs. Queria mais escorpião e algum leão e algum virgem. O que esses sagitários estão fazendo aí?

E não, eu não entendo absolutamente nada de signos.

Aliás, alguém que souber algo de signos me ajuda a interpretar o brinquedinho. Palpitem aí.



Wednesday, December 02, 2009



Ok

mas agora chega.





Sobre a previsibilidade tão previsível

Assim, sabe. Você é engraçado. Meio que sem explicação, só é engraçado. São aqueles montes de blefes e talz, fico pensando no que há pra compensar e quase sempre chego à conclusão de que de madrugada você abraça um bicho de pelúcia de infância e chupa o dedo enquanto sonha Dubai, Tóquio, a Lua, e se confunde e se conforta. Acho isso tudo meio doce, te imaginar rolando na cama meio que perdido na vastidão que viraram as suas infinitas e infinitas vidas, todas, claro, com fim próximo e nenhuma com redenção, mas você acha que sim. Será que lá no fundo fundo fundo acha mesmo? Dos anos para cá ficou tudo meio previsível, e eu prevejo seu nome por aí em alguma revista, ou fez um grande discurso ou surtou e enfiou uma baioneta no cachorro. Rs, você é bem engraçado. E seu filho te odiará e sua mulher será incrivelmente infeliz, mas olhar o jornal e afrouxar a gravata ao fim do dia te trará uma enorme paz, e alegria sem expressão no rosto, de dever cumprido, como os soldados. Ou como os mortos. E você é lindo. Um brinquedinho fofo de fazer rir.



Tuesday, December 01, 2009



Passagem

Acho que nunca escrevi no blog algo sobre Vergílio Ferreira. Eu conheci há dois anos, na matéria de literatura portuguesa. Hoje estava aqui matando tempo atrás de citações e ele acabou caindo na minha mão e dei um jeito rapidamente de recordá-lo antes de ter que buscar o gato no petshop. Eu lembro de ter amado tanto o livro, A Aparição, e agora, que o reli praticamente inteiro, ele não faz tão mais sentido. É bom e talz, mas a vida está correndo e atropelando uma porção de coisas, dentre elas umas incrivelmente queridas, que, pior que serem esquecidas, perdem o sentido enquanto ainda vivas na memória. Medo dessas filhasdaputagem do existir.

Que delícia. O primeiro dia do último mês do ano. O ano que vem promete umas melhorias. Assim, melhorias objetivas. Juro!, não é só pensamento positivo, embora eu tivesse que ter algum às vezes, faz bem à cabeça, rs. Ano como um todo em saldo neutro. Nem bom, nem ruim, várias coisas boas, várias coisas ruins. E nem morri e nem vivi muito. Desequilibrado no equilíbrio de coisas ruins e boas. Não descartável. Ainda. Vou pensar na lista de metas e de desejos para o ano que vem. Pro Papai Noel eu vou pedir, como em todos os anos, o vocal do Rammstein sendo jogado pela minha chaminé. Dedos cruzados!