A violent whisper
We've got to learn to stop bravely at the surface.
We've got to learn to love appearances.
Beautiful Losers, L. Cohen
Eu não quero mais conversar. Para isso há a explicação de Riobaldo, estou eu demais, e de alguma maneira acho que eu demais é pérola demais e economizo: não que sejam porcos, é que nem interessa o que são, só são os de-fora, e, se está pra lá do muro, tanto faz porco ou o que quiser, qualquer coisa, só decida um mamífero fofo para animar o horizonte. Mas escrevo porque algo no silêncio ainda deve estar incomodando. E tensionando. E tanto faz também o que seja, meu interesse em mim é o mesmo desinteresse dedicado ao resto (excetuando o fato de eu ser a única pessoa por quem iria ao Mc Donalds mais próximo dar um agrado com recheio de cheddar), o que me faz pensar se também não sou uma de-fora. Mas tensiona, e imagino a explosão: nem nada barulhento, nem nada engolido. Talvez cena de filme mudo: corte e pássaros voando, corte e fumaça no gatilho, corte e um jorro de sangue preto, porque cinema mudo colorido não faz o mínimo sentido. Ou aquela informação perdida que chacoalha na superfície de um buraco negro, e que ainda existia, e que, ops, mostrou-se, escapulida, e de que não se lembrava, e que simplesmente escoa para abrandar uma superfície p-brana e lembrar ao universo: nada foi esquecido. Eu quero uma superfície calma, superfície de tanto que o tanto pareça ausência, afunilando para o pleno nada, nothingness, consciente no silêncio de que não nos esquecemos, nunca, nunca, nunca. Deve ser o que há de mais próximo a paz aqui, onde solo una cosa no hay: es el olvido, e fico feliz que talvez me sirva.

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