A Waltz for a Night

Um cronópio encontra uma flor solitária no meio dos campos. Primeiro pensa em arrancá-la, mas percebe que é uma crueldade inútil, e se coloca de joelhos junto dela e brinca alegremente com a flor, isto é: acaricia-lhe as pétalas, sopra para que ela dance, zumbe feito abelha, cheira seu perfume, e deita finalmente debaixo da flor envolvido em enorme paz. A flor pensa: é como uma flor. (J. Cortázar)






Saturday, September 04, 2010



Da dificuldade de acordar, e de acostumar

Porque é difícil pensar no limite quando já se passou dele há tanto, ou pensar que toda essa sabedoria tem um fundo de verdade, embora tão desprovida de sentimento, ou pensar que para além da dor há alguma delícia no ser o que é, ou pensar que amanhã o sol não vai arder o mundo quando se abrir o olho sem sono, amanhã-talvez-amanhã. No final das contas, é difícil entender que viver é normal demais e que há coisas ainda a se esgotarem. Mas até isso é normal, não dá para entender nada com a cabeça estilhaçada, ou escrever sobre (e com) ternura com o coração partido. Bem normal. Espera é o que existe. Esquecimento é o que existe.

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