Para arrazoar
Explico. É que no final das contas, nas ruas, todos parecem mancos implorando uma muleta que faça as costas, as pernas, o calcanhar ou qualquer coisa parar de doer. Não para de doer, é transferência de dor, apoio nunca fez peso sumir, só distribuiu, e a troco de que, se o que é compartilhado é só esse desespero, sem que se diga nada, naquele imenso silêncio constrangedor que faz as pessoas se fecharem mais e mais em balões de ar, isolantes, mais e mais isoladas, até que não se ouça, não se fale, não se pense nada para além do próprio grande corpo deformado em pedidos de socorro, e de muletas. Hoje me parece particularmente estranho que as pessoas precisem de outras que as assistam assistirem aos próprios pés.

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