A Waltz for a Night

Um cronópio encontra uma flor solitária no meio dos campos. Primeiro pensa em arrancá-la, mas percebe que é uma crueldade inútil, e se coloca de joelhos junto dela e brinca alegremente com a flor, isto é: acaricia-lhe as pétalas, sopra para que ela dance, zumbe feito abelha, cheira seu perfume, e deita finalmente debaixo da flor envolvido em enorme paz. A flor pensa: é como uma flor. (J. Cortázar)






Friday, October 08, 2010



Pro dia nascer

Enternecimento de fim-de-dia, mesmo que seja já quase uma da manhã, é que fim-de-dia para mim é o momento em que se para e pensa acabou e não fiz nada quem sabe amanhã talvez se. Mas é do enternecimento que falo, redundante dizer que é inesperado, mas é porque quanto pior o tempo menos se espera e talvez mais enternecido se fica, e me lembro da folha caindo na pálpebra da Clarice, e me lembro da chuva de poeira que agora-pouco me tirou a energia de parte de Goiânia e me encheu de poeira marrom no boteco, era terra no corpo, no copo, com uma chuva se anunciando no céu enquanto anunciava também a lama que se tornaria aqui na terra. A queda, sempre. É clichê saber que as coisas têm dois lados? É, e têm, sempre, mas não raro a gente ainda no clichê cinza-às-vezes-marrom-rotineiro esquece, e, inesperadamente, se lembra, enternecidos. E agora eu me lembro de que se há amor há restinho de força para amanhã, e depois e, quem-sabe, até depois.
Beijo, Victor.

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