A Waltz for a Night

Um cronópio encontra uma flor solitária no meio dos campos. Primeiro pensa em arrancá-la, mas percebe que é uma crueldade inútil, e se coloca de joelhos junto dela e brinca alegremente com a flor, isto é: acaricia-lhe as pétalas, sopra para que ela dance, zumbe feito abelha, cheira seu perfume, e deita finalmente debaixo da flor envolvido em enorme paz. A flor pensa: é como uma flor. (J. Cortázar)






Saturday, November 06, 2010



Purgando

Meu sábado está com cara de domingo, aquela sensação conhecida de limbo e de nada pronto e no entanto nada no zero, qualquer coisa que gira em torno disso e se mostra presença e ausência sem que haja algo para fazer que não ficar parado figurando qualquer coisa a fazer e já são oito da noite. Um meiotermo enlouquecedor. Hoje no banho usei esse xampu novo, e me veio aquela sensação com cheiro conhecido, como se antes mesmo de passar pelo nariz já socasse a alma. Fiquei pensando exatamente o de que me lembrava o cheiro, e acabou que era de uns dias recentes, bem poucos, e me surpreendi surpresa com o caráter de décadas passadas que os últimos meses adquiriram, como uma extrarrealidade, e não que exatamente me incomode vai passando, mas os últimos tempos não foram meus, e também nem sei se o agora é. Mas é, o tempo passa e as coisas mudam, se acalmam, mas nunca entendi de onde se tirou que elas também melhoram. Que passe o desespero não quer dizer que os tempos se tornam melhores em qualquer aspecto, pelo contrário, a sensação de limbo e de eterno parece se fortalecer tanto tanto no decorrer dos dias. E enfim. Passa rápido, mas demora muito a passar.

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